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O pote é a sua essência.
É aquilo que guarda sem mostrar,
o espaço do silêncio, onde moram
verdades, segredos e memórias.

Por fora, forma e matéria.
Por dentro, tempo, afeto e significado.
O pote não grita - ele contém.
E ao conter, revela quem somos

por Béa Machado 

colaboração de Sônia siqueira e Sérgio Ornellas

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POTES

No início era o barro – e não somente o verbo ou o Caos.

Num tempo em que os seres humanos estavam mais próximos da natureza, ele era venerado e temido como uma divindade poderosa e respeitada como sendo algo sagrado e misterioso. Um dos modos de se refletir sobre a história das civilizações ancestrais é por meio da cerâmica, por ser um dos poucos materiais que sobreviveram ao tempo, os arqueólogos puderam ter subsídios consideráveis para identificar e explicar o modus vivendi dos nossos antepassados. A cerâmica era feita com finalidades objetivas e simples, sendo de uso cotidiano (recipientes utilizados para alimentar o corpo) ou ritualístico (recipientes usados para alimentar a alma).  

A argila, em sua essência terrosa, é como a pele da terra que molda histórias no mundo e na cultura brasileira. Desde tempos imemoriais, guarda memórias nascidas das mãos dos ancestrais que, pacientemente, davam vida a potes e esculturas, misturando função e arte em um só gesto. Nos rincões das comunidades indígenas, ela era venerada como uma divindade silenciosa, capaz de transformar o barro bruto em artefatos que falavam, sem palavras, sobre existências e rituais. 

Na arte de BEA, potes e jarros de cerâmica ganham vida, remetendo às profundezas de sua memória infantil — onde a argila capturava seus sentidos numa olaria vizinha. A transformação da matéria-prima em formas era êxtase, suas mãos: criadoras de mundos. Com o tempo, este encantamento se reflete nas telas, onde seus 'potes' se tornam conceitos plenos de emoções e sentidos. Cores vibrantes como os negros e vermelhos iridescentes, os azuis translúcidos e os laranjas iluminados pelo amarelo são a assinatura inconfundível da pintora.

por Sônia Siqueira

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